31 maio, 2005

I'm a bird, how?

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Ser pássaro agora, como?

Se os sonhos ficam sempre em terra.

Se a brisa inefável, leva sempre o sopro de um coração imóvel.

Francis says

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Ser um pássaro como?

Se as palavras nunca voam.

30 maio, 2005

o céu, em Lav(r)a

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29 maio, 2005

ascensão e queda

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© Porto, Janeiro 2005

Enquanto editava estas fotos, a minha filha, abeirando-se do computador, pergunta:
- Pai, o Papa vai levar o tapete à igreja?
- Não é o Papa nem é um tapete...
- Então, o que é? Está-se a disfarçar de pai-natal?
- É um sem-abrigo, não tem casa onde morar e leva um cobertor às costas para se aquecer.
- E pode ir para a missa assim?
- Ele só vai sentar-se ao sol...
- Então parece um gato! Só que nunca vi gatos vermelhos! - conclui a minha filha, afastando-se a cantarolar, em tom de brincadeira:
- O papinha vai levar o tapete prá igreja! O papinha vai levar o tapete prá missinha...



28 maio, 2005

coração-destroço

silente,
meu corpo imundo.
lá dentro, o coração-destroço.
fundo,
sem poço.
a lava doente.

27 maio, 2005

Visto daqui

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© Porto, Fevereiro 2005

26 maio, 2005

nocturnal

percutida na noite, a melodia.
melancolia ferida.
um cão anda na luz.
deus elevado na minha mão.
luz branca, espessa, opaca.
alegria jorrada.

uma mão inventa a lua.
todos os versos impossíveis,
todas as notas sublimes.
estou só ( tantos o disseram ),
nenhum nó me desata.

25 maio, 2005

vinyl love story

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Bonnie Koloc e Jacques Brel, assim perpetuados numa vitrine às portas do Teatro Sá da Bandeira, no Porto...

Moloi by Francisco

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Olá, Moloi!
Assim linkado desta maneira...


salto não salto?


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antes

antes de dormir,
os sonhos.
lâminas.
flores glabras.
o sangue ainda arde,
mas é já tarde.
leucémico flamenco.
salero sem sal.

antes de morrer,
os versos.
lágrimas.
dores macabras.
o sangue ainda quente,
mas já não sente.
anémico movimento.
bolero fatal.

24 maio, 2005

O nosso Titanic...

Por estes dias, foi a vez de Suzana Ralha abandonar o barco.
Ontem, inacreditavelmente, realizou-se lá a gala da Superliga de Futebol...concerteza por "ser um espaço muito moderno e apetrechado com o que de melhor há em Portugal", como assegurava um popular locutor de rádio para todo o país...

O mar está revolto. O céu parece inclinar.
Teme-se o pior.

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© Porto, Fevereiro 2005

23 maio, 2005

O Génio e o Campeão

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Que pena - que oportunidade perdida! - não ter sido o Siza a conceber o Estádio da Luz!

( Mas será que a Casa do Benfica no Porto quer uma nova sede?...)

Sob o céu de Berlim

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Berlim-Leste, 1990.
A alegria da reunificação.

Escutando o passado?
Auscultando o futuro?

A Europa, essa velha criança...

22 maio, 2005

Na loja do meu desejo

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21 maio, 2005

Um anjo lá dentro, outro anjo cá fora

Para h.
que fez hoje anos.

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20 maio, 2005

Casa do boneco Siza

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" Construir uma casa tornou-se uma aventura." *




* textos retirados de "Álvaro Siza. Escrits", edição da Universitat Politècnica de Catalunya

Siza explicado às criancinhas

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" O desenho é o desejo de inteligência."

"Guernica" era para estar ali...

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"Mal sei que materiais escolher. As ideias vêm-me imateriais, linhas sobre um papel branco; e quando quero fixá-las tenho dúvidas, escapam, esperam distantes. (...)"

"Museus"

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"(...) assim é a Arquitectura dos Museus, idealmente sem paredes, nem portas, nem janelas, nem todas essas defesas por demais evidentes, pensadas e repetidas, Museus que recolhem o que esteve em palácios, ou igrejas, ou cabanas, ou sótãos, coberto de glória ou de pó, dobrado sob o colchão de uma enxerga, e agora silenciosamente me observa, sob uma luz indiferente ao que se move demais."

"Ouço dizer..."

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"Ouço dizer que desenho nos cafés, que sou um arquitecto de pequenas obras ( como experimentei as outras, penso: oxalá que não; são as mais difíceis).
É verdade que desenho nos cafés. Não o faço como Toulouse Lautrec nos cabarés, ou algum Prix de Rome, entre as ruínas.
O ambiente de um café não inspira nem transporta. É um dos poucos - aqui no Porto - a permitir anonimato e concentração.
Não se trata de fuga à mesa de reuniões, á interdisciplinaridade, ao telefone, aos impressos de Regulamentos, aos catálogos de pré-fabricados ou de ferramenta simplificadora, ao computador ou à Assembleia de Moradores. Trata-se de conquistar- é o termo - bases para trabalhar com isso e para isso. ( Quantos cafés frequentei; mudo quando noto especial atenção, à mistura com chá e torradas)."

"Outras cidades"

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"(...) Pela minha parte, estranho que a poucos interesse, vindo de mãos de outras terras, o encantamento dos mil cinzentos de reboco, ou do tijolo enegrecido, dos grandes muros sem janelas, ou das esquadrias de madeira de pesada secção; dos ritmos invariáveis de janelas, que só se rompem, explodindo, no dobrar das esquinas, ou onde algo exterior à Arquitectura acontece. Paciência. (...)"

Ali também ficava bem uma barbie...

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19 maio, 2005

Futebol por SMS

Eu sei que na ressaca das derrotas do Sporting, e em vésperas de jornada tão palpitante e decisiva, é um pouco abusivo estar a dizer isto, mas a crónica da Leonor Pinhão, hoje n"A Bola", intitulada " A semana em SMS", é absolutamente genial. Divertidíssima. Impagável! Mesmos os não benfiquistas têm que reconhecer-lhe o talento...

Já sei que se pode morrer na praia. Que até ao lavar dos cestos é vindima.
Também sei que quem se ri por último, ri melhor.

Sabem quem é este senhor?

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Museu de Serralves. Grupos de crianças cirandando pela exposição de Paulo Nozolino.
O guia pergunta, apontando para uma das fotos:
- Sabem quem é este senhor?
Há sempre uma criança mais idiotamente expedita que as outras:
- Eu sei, é o Paulo...
- Não, não é...este senhor chama-se Adolfo...
Uma outra criança dispara:
- Na nossa escola, há um vigilante que se chama Adolfo...
- Não, este senhor é alemão...
E apontando para outra fotografia:
- Estão a ver ali aquelas pessoas...carecas...
As crianças deslocam-se excitadas.
- Tinham outra religião...Pois, foi este senhor chamado Adolf Hitler que lhes fez aquilo. Já ouviram falar da segunda guerra mundial...

lágrimas ou lâminas

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"Esta luz ama os destroços."

"O que aqui se dá a ver é o nosso medo."

"O choro é sempre um lugar incerto."

"O mundo é o enigma da luz." *



*frases da autoria de Rui Nunes, apanhadas das paredes da expo-
sição de Paulo Nozolino.

Chove no mundo inteiro

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É nisso que penso, quando olho para estas fotos, deste artista que tanto amo.
Estes céus de apocalipse.
A nossa pele virada do avesso.
Nua perante o mundo.
E também a perene fragilidade do amor.

Pergunta tão bela

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- Pai, as flores à noite dançam?
- Acho que sim, filha...e parece que depois dão muitos beijinhos...
- Ah! Então é por isso que de manhã, a casa está sempre a cheirar tão bem!

18 maio, 2005

Still

Para dizer que a imprensa portuguesa também se lembrou da lúgubre efeméride.
Pedro Mexia escreveu um belo texto no "DN", e há um outro no "Público", de Amílcar Correia.
O "JN" dedica-lhe duas páginas, da autoria de Cristiano Pereira, e onde se revela que há um
fã português que vai editar um livro e organizar uma homenagem.
A minha está feita.
E partir de agora, morreu o assunto.

Unknown Pleasures

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"Aos melancólicos, aos decadentes, aos divisionistas do prazer desconhecido, aos estrangeiros perante si..."

Em longínquos dias cruzei-me com estas palavras, apelo fantástico de uma mulher misteriosa. Nunca mais as larguei. Perseguem-me ainda hoje, como uma espécie de sombra. Eram outros tempos.

Mas não se esquece.
Nem que o homem morreu neste dia.
Tudo isto, é claro, é em memória dele.

Glória nas alturas àqueles que se vão*

morrer.
querer morrer.
querer morrer nessa idade onde deus é puro fantasma,
onde a alma se esvanecia nas pálidas paredes de um quarto,
onde a música consagrava o pecado de devotos pequenos amores.

ousar esse filme,
usar a memória do cinema como infinito caleidoscópio de imagens,
como se houvesse verdade na vertigem de um suicídio,
como se a violência dos gestos fosse exclusivo segredo meu.

morrer.
querer ter morrido.
enganar a sombra das coisas,
ignorar as carpideiras que riem dos mortos em certas miragens,
ir no rasto de fogo dos beijos frios,
como se se fosse viandante supremo,
eleito.
querer ter sido eleito para morrer.


hoje é tarde.
hoje duvida-se do anel espiralado de silêncio
que os anos deixaram no nosso corpo,
duvida-se da idade imemorial do nosso olhar,
desconfia-se que as horas ainda passem à mesma velocidade d'outrora.

hoje é muito tarde, digo.
já não tenho vontade das lápides, dos funéreos poemas, dos epitáfios
do efémero.

sórdido desejo do teatro, do teatro do negro.

hoje já não digo.
hoje carrego as palavras de mentiras subtis.
como se não se justificasse verdade alguma,
como se esse filme fosse um tributo a alguém,
a uma personagem que aos vinte anos tivesse morrido por mim,
perpetuado na memória da infância.


hoje por aqui fico no lugar dos meus mortos.
morreram no anelo de uma radical perfeição.
foram sempre puros, crianças imortais.
e assim correram até ao fim.


há quem louve agora apenas as virtudes da técnica,
a pueril alegria das pistas de dança,
ou até cante sardónicos sentidos pêsames.
erguem taças como esquifes de nada,
de barato e celebrante champanhe.
erguem-nas por quem apenas ganhe.


morreram plenos de lágrimas,
pelos sulcos das palavras em vão.

houve quem tivesse aquela dor.
o castelo alto dessa dor.
como eu.
para erguer sempre.



*título do meu primeiro filme.
meu filmezinho adolescente...

17 maio, 2005

Nos bastidores de Hollywood, nem tudo começará com um beijo

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© Porto, Maio 2005

Dois bons rapazes disputando os tops!
Qual Código, qual quê!!

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Um puro gesto de curiosidade acabou por levar-me a Singapura.
A um rapaz que não está famoso nos estudos escolares e que parece gostar muito de hip-hop.
É giro isto da aldeia global.

Desabafo

É complicado ser barco:
o amor ter por destino.
portos. palavras de fome.
algumas lágrimas do mar.



É complicado ser barco:
ter as nuvens por desejo.
rumos. rodas de leme.
alguém à espera no bar.

16 maio, 2005

não gostamos de carneiros

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© Porto, Novembro 2004

Estranha forma de linha

Por estes dias, olhando as linhas da minha mão, as aparentemente estranhas linhas da minha mão, um amigo disse-me:
- Não sei não, ou você é primitivo ou então é evoluído!
Ri-me francamente. Mas por dentro algo estremeceu.
Há muitos anos, em terras andaluzas, numa roda de amigos à mesa de um café, um jovem "saraui", depois de o ter feito a outros, recusou-se a ler a minha mão, dobrando-a e obrigando-me a recolhê-la, enquanto me olhava directamente nos olhos, de um modo que nunca fui capaz de desvendar, mas que me marcou para sempre. Nunca o esquecerei, a esse episódio, no fundo, tão banal. E viverei sempre com esse mistério, quase trauma: porquê?
A rir, ao meu amigo respondi:
- E porque não os dois?!...Até pertenço a um signo dual...metade homem, metade animal...

15 maio, 2005

Sobre a luz

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© Porto, Outubro 2004


sobre a luz o lume,
deus já se faz tarde.
sob a noite o ciúme,
a paz que ainda arde.

14 maio, 2005

Universo animado

Nove e meia da manhã. No carro, a caminho do jardim de infância.
Subitamente diz ela:
- Olha a lua!... Ó pai, ainda está ali a lua!
Vejo-me sorrir no retrovisor. A minha filha murmura ainda uma preocupação:
- Já está a ficar noite?
- Não...Ela é que não quer ir dormir, porque está um dia muito bonito...
- Então, ela é amiguinha do sol.
- Ela queria... era ser namorada.
- Pois...ela só não gosta de vento nem de nuvens.

No dia seguinte. Céu mais cinzento. A mesma hora, o mesmo percurso.Ela de novo:
- Olha, a lua está ali outra vez.
- É uma malandrota! Não gosta nada de deitar-se...
- Vai-te embora, ó lua! Que vêm aí as nuvens e vão molhar-te!

13 maio, 2005

Fosse

Fosse esteio
o anelo de morrer.


Fosse uma ideia
bola de brincar
búzio que se escuta
mentira macambúzia.


Fosse uma candeia
o nada a brilhar
ira originária
breve luz difusa.


Fosse devaneio
um sonho a correr.


Fosse uma sereia
brinco do mar
brinquedo-prostituta
segredo fugidio.


Fosse lua cheia
veneno alar
mãe sanguinária
sorriso do cio.


Fosse receio
degredo de ser.


Fosse uma teia
o que sei de matar
sede de cicuta
festa do dilema.


Fosse grão de areia
o que serei no ar
mão imaginária
aresta do poema.


Fosse o que fosse
um fosso
lavraria a palavra.

12 maio, 2005

Aparição

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A nu.
Tantos anos depois, de novo.
A mesma inocência.
Mesmamente inconsciente.
Tal como Tom Waits, revelarei todos os meus segredos
mas mentirei sobre o passado.
Ou talvez não.
Não contarei nenhum segredo nem mentirei sobre o passado.
Apenas nu. Aqui tentarei ser.
Entre linhas.