13 maio, 2005

Fosse

Fosse esteio
o anelo de morrer.


Fosse uma ideia
bola de brincar
búzio que se escuta
mentira macambúzia.


Fosse uma candeia
o nada a brilhar
ira originária
breve luz difusa.


Fosse devaneio
um sonho a correr.


Fosse uma sereia
brinco do mar
brinquedo-prostituta
segredo fugidio.


Fosse lua cheia
veneno alar
mãe sanguinária
sorriso do cio.


Fosse receio
degredo de ser.


Fosse uma teia
o que sei de matar
sede de cicuta
festa do dilema.


Fosse grão de areia
o que serei no ar
mão imaginária
aresta do poema.


Fosse o que fosse
um fosso
lavraria a palavra.

4 Comentários:

Anonymous Anónimo disse...

« Entre nós e as palavras, os emparedados e entre nós e as palavras, o nosso dever falar», dizia Mário Cesariny. Nem mais! Estamos ansiosos pelas «letragens» que se seguem.O rei vai nu!

eduarda

13 maio, 2005 14:31  
Blogger Carla de Elsinore disse...

ó edu, essa do "entre nós e as palavras...", é minha. eheheh

13 maio, 2005 18:47  
Blogger MOLOI LORASAI disse...

Que tal o titulo FOSSE para este poema franciscano?

26 maio, 2005 20:18  
Blogger francisco carvalho disse...

Tive sempre dúvidas sobre isso. Sempre hesitei entre simplesmente "fosse" ou o mais fechado "fosse o que fosse".
E fosse o que fosse que me acabou por levar a não intitular o poema, desta vez vou aceitar a tua sugestão e assim ficará "fosse"...

04 junho, 2005 14:27  

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