26 abril, 2011

na rota da derrota?

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© Porto, 25 Abril 2011

25 abril, 2011

postal pascal

Cristo entrou-nos pela casa dentro.
Abrimos a porta mas não o esperávamos.
Um cristo frio que pedia o calor dos nossos lábios.
Nas mãos tínhamos cálices de vinho. Nós, alegres pagãos.
Pediram-nos para cantar aleluias.
Não sei se chegámos a calar o Prince.
Uma espécie de chuva grossa irrompeu no ar salpicando
a mesa farta e as nossas vestes.
Quase ninguém quis beijar a prata.

Para além da janela, um corrupio de gaivotas animava
os telhados do casario vizinho.
No rio de ouro, um barco rabelo cheio de turistas atingia o arco
da ponte. O céu lá longe era muito negro.
No vidro da sala caíam gotas gordas de chuva.
Brincámos que era deus a chorar pelo nosso país.
O barca velha encorpando o nosso tédio pascal.
Buda era a imagem da serenidade...

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© 2011

23 abril, 2011

este espaço, este silêncio, estes passos sem (a)deus

Por vezes digo: tentemos ser alegres,
e parece-me prudência a minha,
tão escavada é agora a deserta medida
à qual foi prometido o grão.

Por vezes digo: tentemos ser graves,
não se diga nunca que jorra para mim
sangue de vitelo gordo:
e ainda me parece prudência a minha.

Mas mesmo sem culpa a quem assim enche
de hipóteses o deserto,
de imagens a noite escura, alma minha,
a este será dito: tiveste o que era teu.






poema sem título de Cristina Campo
em "O Passo do Adeus" (ed. Assírio & Alvim,
tradução de José Tolentino Mendonça)



10 abril, 2011

o mestre do vibrafone

Photobucket© Roy Ayers, Casa da Música, Porto, 2 abril 2011

02 abril, 2011

as palavras dela, sempre, em socorro desta casa

O tempo fecha.
Sou fiel aos acontecimentos biográficos.
Mais do que fiel, oh, tão presa! Esses mosquitos que não
largam! Minhas saudades ensurdecidas por cigarras! O que faço
aqui no campo declamando aos metros versos longos e sentidos?
Ah que estou sentida e portuguesa, e agora não sou mais, veja,
não sou mais severa e ríspida: agora sou profissional.


em "A teus pés" de Ana Cristina César