24 abril, 2010

os olhos em lisboa

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"É uma pequena obra-prima esta tão aguarda animação
de Pedro Serrazina, depois de Estórias do Gato e da Lua,
primeira curta portuguesa a ir a Cannes, em 1996, e
vencedora de 15 prémios internacionais. "Pequena"
porque dura 15 minutos e "aguardada" porque, por
contingências várias, demorou 14 anos a sair cá para
fora. Desde a altura em que concebeu o projecto, muita
água correu por baixo da ponte, Pedro é hoje uma
pessoa diferente, foi para Londres, onde ficou, enquanto
professor e director do curso de animação, na University
for the Creative Arts, mas nunca desistiu de contar esta
história de um faroleiro e da sua filha, cercados por um
mar de (más) memórias. Com um potencial metafórico e
poético poderosíssimo, a história tem na realidade três
personagens: um pai rude e melancólico que vela pelo
horizonte mas recusa-se a olhá-lo, a filha que se encanta
com os fragmentos de vida exterior que vão dando à
costa, e o mar que simboliza, no fundo, a memória. Para
Pedro Serrazina é fundamental que seja "a história a sugerir
as soluções visuais". Por isso esta animação é uma mescla
de três técnicas: o desenho animado, a pintura e a imagem
real. Claro que era possível animar o mar, diz, mas "nós em
Portugal sabemos o poder evocativo que o mar contém e a
animação não transmitiria tão bem o seu lado aleatório e
orgânico. E para mim era muito importante que o mar na
história tivesse essa força". O realizador é licenciado em
arquitectura, tem sempre presente que as personagens são
efémeras e transitórias, não o espaço, as rochas, o mar. E o
que há de mais extraordinário nesta curta é a forma como
as três técnicas se fundem e fluem num universo estético
visualmente coerente, e tudo encaixa: os ecos de memória
trazidos pelo mar, os fragmentos musicais e as ondas reais
que podem desenrolar-se em espuma e salpicos animados."

texto de Ana Margarida Carvalho, publicado esta semana
na revista "Visão".

O filme, esse, relembro, estreia hoje no IndieLisboa.





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