11 fevereiro, 2008

um poema de Anna Akhmátova

Há na intimidade um limiar sagrado,
encantamento e paixão não o podem transpor -
mesmo que no silêncio assustador se fundam
os lábios e o coração se rasgue de amor.

Onde a amizade nada pode nem os anos
da felicidade mais sublime e ardente,
onde a alma é livre, e se torna estranha
à vagarosa volúpia e seu langor lento.

Quem corre para o limiar é louco, e quem
o alcançar é ferido de aflição...
Agora compreendes por que já não bate
sob a tua mão em concha o meu coração.


(retirado da antologia "Só o sangue cheira a sangue",
tradução de Nina Guerra e Filipe Guerra Assírio & Alvim, 2000)

2 Comentários:

Blogger un dress disse...

a resposta a um poema deve ser outro poema.

se possível.


~


Vinte e um. Segunda-feira



Vinte um. Segunda-feira. É noite

No escuro uns contornos de cidade.


Algum vagabundo escreveu

que na terra pode haver amor.


E por tédio ou preguiça,

todos acreditaram e assim vivem:

esperam encontros, temem adeus

e cantam canções de amor.



Mas a outros revela-se o enigma,

e o silêncio repousará sobre eles...


Descobri isto por acaso

e desde esse momento sinto-me mal.






anna akhmátova in

antologia poetas russos

tradução manuel de seabra

12 fevereiro, 2008 20:47  
Blogger francisco carvalho disse...

comovido obrigado, un dress.

beijos

12 fevereiro, 2008 23:07  

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