09 fevereiro, 2008

Senos e Cossenos

de Eduarda Chiote



Esta empregada
que se levanta às cinco da manhã sete dias
seguidos,
diminui a espessura da sua já tão pequena
semana
até torná-la do tamanho de uma formiga.


Por entre um brouhaha de
romanticíssimas miudezas,
azuis,
à Novalis,
ela trabalha operosamente delicados, diminutos
trocos.

Impossível conceber maior júbilo que o
de prolongar por simples hora
a idade da sua caixa registadora.

Ah, se ela tivesse essa hora,
com os seus três mil e seiscentos segundos
cravados na filigrana da comida pronta,
o almoço adiantado,
a roupa lavada e passada,
talvez pudesse ir à Avenida de Roma ou Alvalade
comprar uns jeans.

1 Comentários:

Blogger isabel mendes ferreira disse...

fico sempre comovida quando a vejo aqui.





obrigada F.




bjj.

10 fevereiro, 2008 13:18  

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