28 agosto, 2007

por essa estrada

"A estrada atravessava um atoleiro seco onde tubos de
gelo se erguiam da lama gelada como formações rochosas
numa gruta. Junto ao tapete de asfalto, os restos de uma
velha fogueira. Mais além, um longo caminho elevado de
betão. Um pântano morto. Árvores mortas a emergir da
água cinzenta, com os restos cinzentos de barba-de-velho
a penderem-lhes dos ramos. Os montículos sedosos de
cinza contra a berma. Ele parou, encostado ao parapeito
rugoso de betão. Talvez agora, com o mundo destruído,
fosse finalmente possível perceber de que é que era feito.
Oceanos, montanhas. O ponderoso contra-espectáculo
das coisas a deixarem de existir. A aridez que tudo varre,
insaciável e friamente secular. O silêncio."

em "A Estrada" de Cormac McCarthy

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© Agosto 2007

2 Comentários:

Blogger un dress disse...

sabendo já quase tudo do silêncio

abriram as montanhas devagar


/ procurando a memória
com os dentes






*

28 agosto, 2007 21:31  
Blogger Pinky disse...

Será que a estrada permite uma passagenzinha pelo mail, Francisco?... ;)
Fico a aguardar...
Beijinhos!

29 agosto, 2007 00:49  

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