02 abril, 2009

este livrozinho sobre a américa que me assombra

"O suicídio é para as pessoas que não suportam não saber como 
é que o filme vai acabar. Seja como for, Mark continuava, tu não és 
verdadeiramente suicida. Apenas gostas de te destruir a ti própria. 
Autodestruidor e medíocre são as palavras mais excessivamente 
utilizadas da América. Grace respondia-lhe aos gritos, sentindo-se 
desajustada até em relação ao suicídio. Então eles discutiam e iam 
para outro bar onde esqueciam a discussão e assistiam ao espectá-
culo de cabaret.
Nunca sabes ao lado de quem estás sentado. Descobres que afinal 
o travesti é um polícia, mas é tão esquisito que te custa a acreditar 
que ele seja um polícia e depois percebes que não é, ele quer é que 
tu penses que ele é. A cantora está a debitar o "Heat Wave" e a banda 
tem uma secção de metais bastante boa e Grace está realmente a 
ficar excitada, com as mãos em cima da cabeça e a meneá-las na di-
recção de Mark, que está a olhar para outro lado qualquer. Grace 
está fascinada com a cantora, uma jovem com o cabelo pintado de 
preto e ripado, tão alto como a rampa de lançamento do cabo 
Canaveral. Mark agarra o criado pelo braço, um jovem loiro com 
olhos que parecem uma cama demasiado gasta.
— Diz à cantora que está a um beijo de lhe sair a sorte grande — 
diz, olhando para Grace. Grace sempre teve aquele poder: sexo."


(retirado de "Casas Assombradas" de Lynne Tilman)

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