14 janeiro, 2007

Talvez o vento saiba, de Ivan Junqueira

Talvez o vento saiba dos meus passos,
das sendas que os meus pés já não abordam,
das ondas cujas cristas não transbordam
senão o sal que escorre dos meus braços.
As sereias que ouvi não mais acordam
à cálida pressão dos meus abraços,
e o que a infância teceu entre sargaços
as agulhas do tempo já não bordam.
Só vejo sobre a areia vagos traços
de tudo o que meus olhos mal recordam
e os dentes, por inúteis, não concordam
sequer em mastigar como bagaços.
Talvez se lembre o vento desses laços
que a dura mão de Deus fez em pedaços.


(retirado de Poemas Reunidos, Ivan Junqueira, Ed. Record, 1999)

6 Comentários:

Blogger hfm disse...

Há quanto tempo não relia Ivan Junqueira!
Porque este blog é muito bom voltaste a ser "amarrado" na Linha de Cabotagem.

14 janeiro, 2007 09:25  
Blogger Y. disse...

talvez haja quem saiba....








talvez.



_____________

subscrevo a H.


beijo F.






ao vento.

14 janeiro, 2007 12:05  
Blogger MOLOI LORASAI disse...

Mendes Ferreira viu criatividade para além do cromático.Se um dia, porventura, M.F. vir criatividade no que eu faço, já não acreditarei!

14 janeiro, 2007 14:04  
Blogger Y. disse...

acho mal que não acredite Moloi.


_________________


porque vejo.


:)


mas se preferir

não o digo.

:(

14 janeiro, 2007 14:23  
Blogger Pinky disse...

"Não, não vou por aí! Só vou por onde/Me levam meus próprios passos...
[...]
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,/Redemoinhar aos ventos,/Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,/A ir por aí..."

José Régio sabia. E presumo que o vento também.

14 janeiro, 2007 16:17  
Blogger MOLOI LORASAI disse...

prefiro que não diga!

14 janeiro, 2007 22:44  

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