05 novembro, 2006

com chave mutável

um poema de Paul Celan
(com tradução de João Barrento e Y.K. Centeno)

COM CHAVE MUTÁVEL

Com chave mutável
abres a casa em que
vagueia a neve daquele que foi silenciado.
Conforme o sangue que te brota
dos olhos, da boca ou dos ouvidos,
muda a tua chave.

Muda a tua chave, muda a palavra
que pode vaguear com os flocos.
Conforme o vento que te empurra
assim aumenta a neve em torno da palavra.

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© Porto, 2006

7 Comentários:

Blogger chi kung for beautiful ladies disse...

Welcome to Bernardo Sassetti's page on Last.fm.
We don’t have a description for this artist yet, care to help?

05 novembro, 2006 01:03  
Blogger hfm disse...

Simbiose perfeita!

05 novembro, 2006 09:20  
Blogger chi kung for beautiful ladies disse...

Nota-se no pensamento alquímico uma dimensão filosófica que provém desta ideia de um passado mais longínquo e misterioso conservado na memória pelo menos do sonho.

(a imagem é retirada de um folio do Splendor Solis, a devoração do negro do vermelho e do branco simbolizando a anulação das paixões, os desequilíbrios da consciência e da alma, para se atingir a perfeição da albedo, o branco renascido, sobreposto aos outros na matriz do ser ).
posted by Yvette Centeno at 1:50 PM 2 comments

(from Centeno's blog)

05 novembro, 2006 12:54  
Blogger chi kung for beautiful ladies disse...

Sente-se que a morte da cultura, isto é: a morte de milhões de palavras - hoje palavras = sons que significam muitas vezes coisas opostas; a morte do governo – hoje governo = máquina de calcular electrónica de bolso; a morte da televisão – hoje TV = entertainment, deveria estar a criar um tapete underground de autêntico desespero, angústia, desorientação e silenciosa revolução, quero dizer – um tapete extremamente fértil, um composto orgânico a partir do qual os homens podem reinventar tudo: nova vida.

O retorno à PESSOA passa necessariamente por uma denúncia e decomposição do “uso da pessoa”, entenda-se “abuso da pessoa”. Talvez por isto uso tão pouco palavras como “Deus”, “Amor”, “Bondade”. Porque sinto que estas palavras são tão vastas que acabam por manipular as pessoas – porque querem dizer tudo, a coisa, o oposto da coisa e nada. São excessivamente explícitas, espiritualmente explícitas.

Não falar de espiritualidade é uma forte tentação. Assumir uma estratégia pobre. Tornar a informação implícita e expôr apenas o estímulo ígneo – poesia, dança, pintura, música, economia, silêncio.

from André Louro de Almeida's blog

05 novembro, 2006 12:59  
Blogger alberto serra disse...

amigo que bom ler paul celan.meu poeta de cabeceira.minha partitura
do silêncio.meu candelabro aceso a desoras.abraço

05 novembro, 2006 15:18  
Blogger chi kung for beautiful ladies disse...

André Louro de Almeida has a great responsability upon his shoulders. It is the load to rest in the Portugal history XXI.

05 novembro, 2006 16:40  
Blogger chi kung for beautiful ladies disse...

amor errante
olhou-a demoradamente anteontem. conheceu-a vagamente ontem. fez meia cura de melancolia hoje. amanhâ. o que faremos? perguntou-lhe ele. meio envergonhado. o sol. as estrelas. os planetas. andam em rotação permanente. queres-me encerrar já num quarto. fingindo que o tecto é um céu de porcelana. alcova cibernética entre quatro paredes?não. meu amor.respondeu-lhe.ela. anda. vem comigo. orar á lua cheia. descobrir o marco de um anónimo descobridor . na fenda do monte. vamos. estrada fora.tocados pela aragem dos choupos. faz de conta. que "somos nómadas.desde que nascemos". cobre-te de primavera.guarda as milhas do cartão de passageiro frequente. para uma viagem de negócios.pelo o ar. as cidades. são farrapos.descozidos à velocidade da luz. se julgas que os aeroportos. são a porta de entrada. da grande aventura.enganas-te. vendem-te.apenas. o prazer embalsamado. luzidíos guias.sonhos de estufa. distribuídos em terminais de comida rápida. se queres saborear o namoro. lembra-te dos primeiros passeios da infância. o cheiro da erva. quantas vezes não te perdeste no emaranhado de sombras e carreiros. antes de chegares à escola? sigamos então. o caminho dos animais. as pegadas dos pássaros. imagina que somos noivos à maneira antiga.dispostos a perder a virgindade. numa terra longínqua. em que os pastores. alindam jardins de areia. desvendemos os lugares do amor. a meio caminho do desconhecido. não me toques. ainda. a viagem é longa. em cada acampamento. teus olhos vão chorar. saudades de uma vida natural. ao som de uma guitarra. não me beijes. antes de celebrarmos o namoro. deixa as tempestades de areia. despir-nos num chão de pedras àsperas. o trilho dos cometas. há-de conduzir-nos á tenda de lona salgada.
cerraram os olhos. ele estendeu o mapa. sobre os joelhos.pediu-lhe: aponta à sorte uma rota.
amanhâ. inauguramos. o atalho. do amor errante.


# posted by alberto serra @ 5.11.06 0 comments
3.11.06

05 novembro, 2006 19:03  

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