31 outubro, 2007

tilt

Não resisto. Vejo-me a escrever: tanta gente a dar o tilt.
Continuo. Chegará a minha vez?

Entretanto, a minha filha abeira-se do computador e pergunta
o que é isso de dar o tilt. Não tenho como fugir. Respondo,
envergonhado, que são pessoas que não andam lá muito bem
da cabeça ou da vida que levam. Que tenho sabido de muitas
dores, que tenho visto muitas lágrimas, que há tantos corações
aflitivamente tristes.
Mas papá, tu achas que também estás a dar o tilt?
Digo-lhe prontamente que não mas logo acrescento algo
mais esquisito, algo a que também não pude resistir.
A verdade, querida filha, é que o teu doido pai nunca foi nenhum
ás dos flippers. E ponho-me a trautear a canção dos Táxi.
Pai, lá estás tu com essas cantorias estranhas.

Chega cá, que eu conto-te um segredo.
Inclina-se para mim, sussurro-lhe ao ouvido.
Só o amor nos salvará a existência. De resto, penaremos todos
por aí. Sobreviventes. Como cães sem língua. Como lobos sem
lágrimas. Como deuses sem lei.
Não percebi nada do que disseste.
Deixa lá, que isto são apenas umas coisitas escritas.
Uma voz de padre que às vezes me vem.

2 Comentários:

Anonymous Anónimo disse...

os lobos tb choram F....







beijo.



y.

31 outubro, 2007 18:00  
Blogger Cometa 2000 disse...

excelente post.
muito a calhar.
obrigado!

31 outubro, 2007 21:53  

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