11 setembro, 2006

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Um número. O signo de uma tragédia. Essa espécie de holocausto
que não queríamos ter sentido em vida, que não queríamos que
tivesse acontecido nas nossas vidas. Esse buraco negro da história
contemporânea.
Essas imagens e sons dramáticos, para sempre inapagáveis, que
não posso saber ainda como se farão memória no corpo da minha
filha, ao tempo apenas com três anos...

Um número. Um símbolo. A imagem que sobrou. Um onze na
vertigem do vazio. Um onze infinitamente menos que zero.
A porta para um destino que não sabemos como será, que
desconhecemos por completo. O futuro... Esse tapete frágil,
espalhado à nossa frente, que muito vagamente iremos vislum-
brando e que percorreremos cheios de sangue, de nojo, de nó-
doas, de ódios... O futuro sem perfume, sem sabor, sem aromas
agradáveis, sem tão-pouco a aragem fresca de um dia simples.
Um número que parece encerrar um segredo maligno que
corromperá todas as humanas utopias. Que arruinará todas as
esperanças dos homens; toda a Esperança no Homem.

Um número que gravou na alma do mundo o medo.
Esse medo que é a luz sombria que iluminará, receio bem, o
século que temos em mãos.

Mas serei sempre americano. (E não apenas hoje, tão nefasta
data). É como se tivesse o dever, e o direito, de afirmar que foi
desse lado que também nasci, que também a esse lado eu per-
tenço. Que é desse lado que tenho que estar, de me colocar.
Que é nesse lado que eu vivo, que é também dessa matriz que
em parte me fiz ser pensante e me alimento (ah! os incontáveis
cineastas, poetas, pensadores, artistas plásticos, fotógrafos,
romancistas, actores, atletas, músicos, activistas...), eu que
nunca sequer pisei o solo desse vasto, diverso, mítico e admirável
Novo Mundo...

Não posso fugir a isso. A dizer isto. Mesmo sabendo que eles, os
homens ignaros que têm mandado na América, nunca poderão
ter o perdão do mundo, por terem sido os primeiros a usar o
poder maléfico da bomba atómica, a terem-se valido dela em tão
dantesca escala. (E tantos outros crimes, tantos outros!! Muitos
outros, eu sei, e faço por não esquecer.)

Foram os primeiros mas não serão porventura os últimos.
E o último que nos leve deste mundo p'ra melhor.
Hoje vou deitar-me assim. E acordarei assim.
(Desesperançado.)
(Americano.)

2 Comentários:

Blogger M em Campanhã disse...

esse número é também o mundo que temos para os nossos filhos e isso é-me o mais difícil de aceitar.

14 setembro, 2006 15:52  
Anonymous Anónimo disse...

É um mundo muito velho esse, e existem datas piores que essa todos os dias, todos os meses, todos os anos, mas os média decidiram que esse seria um pouco mais importante que outros, enfim, esqueçamos um pouco os média e lembremo-nos de outras datas também

16 setembro, 2006 17:28  

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