30 julho, 2005

o amor é o que é

meus livros de férias, parte seis.

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"(...) O Verão principiara já e tu gostavas de ir à praia e ficar ao
sol como uma lagartixa preguiçosa e eu acompanhava-te, mesmo
não gostando de areia nem de ficar estendido sem nada para fa-
zer. Ia contigo à praia e ficava a ver enquanto o sol te dourava o
corpo, satisfeito por poder contemplar, preguiçando, o torneado
sublime das tuas formas. Dormias ou fechavas apenas a cortina
das pálpebras para ver como os meus olhos rolavam pelo teu
corpo? Não interessa. Se recordo que era Verão é porque tinhas
no corpo a marca pálida do biquini e porque esse era o prémio
que eu recebia por ficar a ver-te-te corar ao sol: o sublinhado
subtil dos teus seios rijos, da tua púbis; a festa de eros que se me
oferecia, pura como o leite acabado de mugir, num corpo dourado
de vénus do sul, de ébano, como as divindades negras. Se o lem-
bro é porque os nossos corpos transpiravam e deixaram desbota-
das as letras do meu poema e húmidas as páginas do meu caderno.
Lembras-te? Disseste:
- É melhor passares tudo a limpo para outro caderno.
E eu respondi que
- Este não está sujo. E, depois, são só palavras. (...)"



" O amor é para os parvos ", de Manuel Jorge Marmelo

1 Comentários:

Blogger JOSE MANUEL CARVALHO disse...

È para os parvos e para os que gostam de amar.
Digo eu.
Eu e a tua foto.

30 julho, 2005 01:24  

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