01 maio, 2007

havia de ser dia da reflexão, I

«Se, arrancando do coração o vício que a domina e avilta a sua
natureza, a classe operária se levantasse com a sua força terrí-

vel, não para reclamar os Direitos do Homem, que não sendo
senão os direitos da exploração capitalista, não para reclamar o
Direito ao Trabalho, que não é senão o direito à miséria, mas
para forjar uma lei de bronze, que proíba que qualquer homem
trabalhe mais de três horas por dia, a Terra, a velha Terra,
fremente de alegria, sentiria nascer dentro de si um novo
universo... Mas como pedir a um proletariado corrompido pela
moral capitalista uma resolução viril?
Tal como Cristo, dolente personificação da escravatura antiga, os
homens e as mulheres do Proletariado sofrem penosamente, des-

de há um século, o duro calvário da dor: desde há um século, o
trabalho forçado parte-lhe os ossos, mortifica-lhes a carne, arra-
sa-lhes os nervos; desde há um século, a fome contorce-lhes as
entranhas e alucina-lhes a cabeça!... Ó Preguiça, tem piedade da
nossa longa miséria! Ó Preguiça, mãe das artes e das nobres virtu-
des, sê bálsamo para as angústias humanas!»

Palavras escritas não em 2003, nem em 1983 mas sim nos longín-
quos finados do século XIX, mais precisamente em 1883. Não me
canso de trazer aqui à liça o seminal "O Direito à Preguiça" do mais
que presciente Paul Lafargue.

2 Comentários:

Anonymous Anónimo disse...

"havia de ser" F.


se a preguiça não fosse "amaldiçoada"...:)))) por mim acho que pela dita é que chegamos à clarividência...ou seja, é precisoTempoparaPensar.
e pensar não é imediatista. requer espaço tempo e silêncio. tudo o que os deuses da modernidade nos impingem...:)))
______________e neste dia de maio florido maio este é o post que deveríamos trazer no bolso. em formato gigante.

Beijo. em maio.


y.

01 maio, 2007 11:57  
Blogger Simone disse...

Este Paul Lafargue não era artista, a preguiça só é mãe de uma arte, desculpem o termo, filha da puta. A arte vem do trabalho interno em primeiro lugar.

01 maio, 2007 21:07  

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