02 julho, 2009

sempre curiosos os estrangeiros olhos

" […] A crise tem, pelo menos, um lado bom. Desmoronado o
modelo económico espanhol, baseado no tijolo, o litoral alen-
tejano respira mais tranquilo. À mesma latitude de Alicante,
embora com àguas mais frias, Portugal conta com imensas
praias virgens que só podem provocar inveja a catalães, valen-
cianos ou andaluzes. A riqueza de um país também se mede pelo
respeito pelo seu território e pela sua beleza natural. E a sensi-
bilidade estética dos portugueses pela sua paisagem
urbana e natural sempre esteve muito acima da nossa.
Graças a Deus que ainda temos Portugal.
À margem das grandes concentrações turísticas do Algarve, a
costa entre Sagres e Setúbal tem inúmeras praias paradisíacas.
As melhores são as que estão dentro do Parque Nacional de
Sagres e no Sudoeste Alentejano, como a praia do Amado ou a
praia da Barriga. Sem desmerecer a Comporta e muitas outras.
Trata-se de uma costa escarpada, apenas pontuada por algum
modesto enclave pesqueiro ou a aceitável povoaçãozinha turís-
tica da Zambujeira do Mar. E por uma quantidade de quintas de
turismo rural de qualidade, a um passo da costa.
O litoral alentejano é um dos últimos redutos costeiros
da península que resistiu à especulação imobiliária. A
excepção, a península de Tróia, junto de Setúbal e já muito
próxima de Lisboa, confirma a regra. A sua renovação urbana
fez-se depois de se derrubarem os piores arranha-céus, do tipo
Manga del Mar Menor, e apostando numa arquitectura de quali-
dade.
Depois de ter sido a guarda avançada do Ocidente e o pio-
neiro da globalização — veja-se a Índia, a que Portugal chegou
antes que a "Las Indias", em contraste com Castela —, com a sua
lentidão, a sua luz e os seus sabores, Portugal parece resignado
ao seu destino de balneário da Europa."



(Excerto do artigo "O balneário da Europa" de Jordi Joan Baños
para o La Vanguardia de Barcelona e publicado este mês no nosso
país pelo Courrier Internacional. Sublinhados meus.)


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